segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Cansaço


O que há em mim é sobretudo cansaço

Não disto nem daquilo,

Nem sequer de tudo ou de nada:

Cansaço assim mesmo, ele mesmo,

Cansaço.


A subtileza das sensações inúteis,

As paixões violentas por coisa nenhuma,

Os amores intensos por o suposto alguém.

- Essas coisas todas;

-Essas e o que faz falta nelas eternamente

-Tudo isso faz um cansaço,

Este cansaço,

Cansaço.


Há sem dúvida quem ame o infinito,

Há sem dúvida quem deseje o impossível,

Há sem dúvida quem não queira nada

-Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:

Porque eu amo infinitamente o finito,

Porque eu desejo impossivelmente o possível,

Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,

Ou até se não puder ser...E o resultado?


Para eles a vida vivida ou sonhada,

Para eles o sonho sonhado ou vivido,

Para eles a média entre tudo e nada,

isto é, isto...

Para mim só um grande, um profundo,

E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,

Um supremíssimo cansaço.

Íssimo, íssimo. íssimo,


Cansaço...


Álvaro de Campos


 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

hoje acordei


hoje acordei assustado, não sei porquê...
será que finalmente encontrei o caminho a percorrer? será que vi o caminho percorrido? ou será que percebi o sitio onde estou? n sei....
acordei apavorado e decidi afastar o medo a. . . escrever!
por momentos o meu medo multiplicou-se ao ponto das minhas mãos tremerem contrariadas contra as teclas alfabéticas.
foi rápido e ao perceber que era apenas uma alucinação toda a tensão se sumiu e as mão fluiram sobre letras ordenadas! não sei se fluiram para o sitio certo mas também não interessa, ... afinal não passa de uma alucinação!
Quem me dera que fosse real.